Torre Velha da Guarda (*)- O ponto mais alto das cidades portuguesas

Torre Velha da Guarda (*)- O ponto mais alto das cidades portuguesas

Sentado nestes degraus, à espera de Godot, na sombra desta sólida Torre Velha da Guarda. Saiba o leitor que é o ponto mais alto de todas as cidades portuguesas com a cota de 1056 metros. O panorama daqui é admirável.
A brisa suave embala remansosamente o corpo e a alma. Água (chuvisca) e vento são fortes motivos de revivescências interiores. É o espaço. É a noção do tempo. É o ponto sinaleiro da cidade, cidades e pessoas que tanta necessidade têm de definirem o seu centro geodésico para que o fim não se apresse. Onde fica o seu espaço mais importante no Universo? Espaço este que será mutável, e que na grande maioria das vezes é um lar.
 “Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.” (1)
O panorama da Torre Velha da Guarda tem horizontes largos de onde se abrange uma vasta área: a norte a crista da Marofa cidade de Pinhel, que tem tanto de bela como é a sua carestia turística; a este a faixa raiana, com as suas velhas praças de guerra de granito carcomido- Vilar Maior (*), Vila do Touro, Alfaiates, Sortelha (***), Sabugal (**),  Belmonte (**); aos nossos pés espraia-se a  Guarda, a sua parte medieva está em grande parte arrebatada pela mole imensa da  (**), que vista daqui é monumental.
A vernácula torre velha da Guarda é a mais antiga estrutura do sistema fortificado da cidade da Guarda e encontra-se isolada, no topo de maior elevação; aqui seria provavelmente o sul do centro medieval da povoação e esta bem poderia ser a torre de menagem da primitiva alcáçova românica. Alguns autores datam a sua construção de 1187, enquanto outros situam-na por volta de 1290 no reinado de Dom Dinis.
O mais provável é que a construção da Torre Velha da Guarda, que não se afaste muito da elevação da Guarda a cidade, no reinado de Dom Sancho I. Na fachada norte tem um portal sobrelevado por estratégia defensiva em arco de volta perfeita de modo românico o que no remete para o século para a primeira data.
O interior da Torre Velha da Guarda organiza-se em três andares, seccionados por pisos modernos de madeira comunicantes aquando da reconstrução em 1947.
Em boa hora o município fez da Torre Velha da Guarda e da área em redor  uma das salas de visita da cidade com a sua requalificação paisagística e arquitetónica da área; com construção de um centro de receção de visitantes que pretende fazer uma ligação aos sítios arqueológicos do concelho e ao centro histórico da cidade.
Silêncio impassível…quietude. Fechemos os olhos e escutemos o clamor da cidade, com o seu bulício de província; é o eco contínuo, por vezes entrecortado pelos gritos dos jovens da escola Básica 2,3 de Santa Clara- também eu, tal como eles, me julguei eterno; mas aqui observo, imerso no silêncio do meu mundo interior, dois adolescentes que se aproximam, namorados, mas talvez no futuro sejam algo aproximado ao casal; pedem-me que lhes tire uma fotografia. Agora a rapariga, tão feliz, tanto como podemos ser quando nos sentimos enamorados, pergunta se aquele monte é o Jarmelo, sim, é o local de lenda associado a Pedro e Inês. Acrescento que aquele outro é o Cabeço das Fráguas (*), famoso santuário pagão com uma inscrição da língua lusitana dedicado a várias divindades lusitanas (Trebaruna, Trebopala, Reve, Laebo e o Ícone Luminoso). Para oeste, atrás do parque eólico, num nível inferior está o Castro do Tintonolho (*). Bem, o rapaz começa aos bocejos, é melhor calar-me, despedem-se, não os censuro, é melhor namorar- o sentimento da minha juventude a fenecer. A vida resume-se a um caminho pelo bosque, onde, de vez em quando, debatemo-nos com bifurcações, nos quais temos de decidir o nosso destino. O que fazer? Nada…a não ser esperar! Peço a Iccona Loiminna uma boa decisão; ele(a) pode ser farol e luz para despertar a minha consciência efervescente adormecida pela cor e ruído do transitório.

Referências adicionais: Vale a pena ler o artigo sobre a torre de menagem da Guarda do blog “Os Meus Trilhos”:

Nota (1) retirada do Livro  do Desassossego. 29-3-1930, de Fernando Pessoa.
Mais informações
Horário da Torre Velha da Guarda:
Verão  (de 01 de Abril a 30 de Setembro)
10:00H-13:00H e das 14:00H-18:00H
Inverno  (de 01 de Outubro a 31 de Março)
9:00H-13:00 e das 14:00H – 17:00H
Aberto diariamente à exceção do dia 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa e 25 de Dezembro

Contactos:

Centro de Receção da Torre Velha da Guarda (Menagem):Tel: 271224372, torre.menagem@mun-guarda.pt, turismo@mun-guarda.pt

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