Túmulo de D. Luís da Silveira (Conde de Sortelha) (*) na Igreja matriz de Góis

Se passar pela pacata vila de Góis deve visitar 3 locais notáveis: o Cerro da Nossa Senhora da Candosa (*), o parque urbano do rio Ceira na vila (*) e este túmulo renascentista de D. Luís da Silveira (Conde de Sortelha) (*) na Igreja matriz de Góis
Quem foi Luís da Silveira?
Como na internet as leituras são de viés e porque queremos que não nos abandone imediatamente, dizemos apenas que foi um dos vultos mais importantes de Portugal no século XVI: foi militar, cortesão e político nos reinados de Dom Manuel e Dom João III sendo  guarda-mor, vedor das principais obras do reino e embaixador e depois amigo na corte de Carlos V, o Homem mais importante do seu tempo.

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Quando voltou a Portugal, foi acolhido com bastante frieza, pelo Rei Dom João III e por despeito, retirou-se para Góis sendo ainda agraciado como conde de Sortelha. Nunca mais voltou à corte, e no seu idílico retiro morreu em 1534. Luís da Silveira foi também um interessante poeta.

Túmulo de Luis da Silveira em Góis

A Igreja Matriz de Góis
A Igreja matriz tem uma só nave e é relativamente banal tendo de interessante a capela-mor construída em 1529-1531 abobada com artesoados tendo as chaves da abóbada o escudo de Luís da Silveira e ornatos da renascença. No altar-mor, do século XVII, estão tábuas quinhentistas de algum valor com influências de Grão Vasco. Mas o que verdadeiramente nos traz aqui é o túmulo da renascença de Luís da Silveira.
O túmulo é um dos mais belos da renascença em Portugal, rivalizando com os da Igreja de São Marcos (Coimbra) (***), Trofa do Vouga (Águeda) (*), igreja matriz de Óbidos (*) e com a do convento de São Bernardo (Portalegre) (**).
O túmulo data de 1531 e apresenta sobre o mausuléu, a figura do Conde de Sortelha, de joelhos, armado e em oração, com o elmo aos pés e um livro aberto sobre a banqueta, com uma inscrição retirada do Livro dos Salmos.
É interessante a forma como o rosto foi esculpido com a sua barba comprida e ondulada e a boca entreaberta. A estátua é uma das mais impressionantes figuras do renascimento português. A estátua poderá ter saído do cinzel de Hodart ou de Chanterene.
Todos nós sabemos tal como o “cão é o melhor amigo do Homem”, também esta pedra de Ançã, é a melhor amiga dos escultores da renascença portuguesa e aqui está ela com toda a sua pujança neste túmulo.
A arca com o vosso amigo assenta sobre uma base onde dois anjos seguram uma cartela, e integra-se num arco profusamente decorado, em cujo fundo se vê um baixo-relevo da Nossa Senhora. Entre as arquivoltas e o entablamento salientam-se dois medalhões.
E ainda pode ver em Góis
Antes de sair de Góis aproveita para visitar a Ponte construída em 1533 a pedido de Luís da Silveira que faz um conjunto interessante com a Capela de São Sebastião e com o rio Ceira que aqui constitui uma aprazível praia fluvial. Se tiver ainda fôlego aproveite para ver todo este quadro do alto da Capela manuelina do Castelo (este último não existe), também ela mandada construir, adivinhem por quem?

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Um comentário Túmulo de D. Luís da Silveira (Conde de Sortelha) (*) na Igreja matriz de Góis

  1. António says:

    Obrigado por tão importante serviço prestado à Memória Artística de Portugal. As fotografias de muito bom nível.

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