Vale do rio Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó) (***) – vamos deixar que aniquilem esta maravilha natural de Portugal (2ªparte)?

Vale do rio Tua

Sobre a beleza e a importância do vale do rio Tua fica aqui um texto com qualidade ligeiramente adaptado por mim do José Romão.
“Os vales, quanto mais profundos e estreitos mais impressionantes para o Homem, mas também mais vulneráveis (apetecíveis) a ser emparedados e submersos por barragens. O vale do rio Tua, a 100m sobre o nível do mar, é ladeado por escarpas que chegam aos 676m. O rio Tinhela, seu afluente, também a submergir, contorna uma extensa vertente selvagem com 500m de altura. Os blocos de granito das Fragas Más no vale do rio Tua têm centenas de metros de diâmetro. Estar nestes ambientes magníficos proporciona-nos uma experiência única da Terra.    
O que a barragem do Vale do Tua põe em causa:
Paisagem do Vale do rio Tua:
20Km de vale encaixado, de aspecto agreste, da Brunheda à Foz do Tua, e ainda o Rio Tinhela e a Ribeira de Barrabáz.
Flora do vale do rio Tua:
O difícil acesso, pela inclinação, extensão e esforço físico, impediu a agricultura em muitos locais, permanecendo a flora selvagem, principalmente os zimbros, arbustos de grande porte, quase arbóreo. O ar limpo dada a pouca indústria local permite a muitas espécies de líquenes crescerem luxuriantemente. Castanheiros, pinheiros (de alepo?), e sobreiros cobrem as vertentes sobranceiras ao rio Tua numa floresta densa e verdejante dada a ausência de incêndios.
Fauna vale do rio Tua:
Nos túneis do comboio há populações de morcegos. Vê-se o esquilo, muitas espécies de aves incomuns, e ouve-se o pica-pau. Dizem-me existir águia-real, bufo real, cegonha preta, e talvez falcão peregrino e abutres, e que várias espécies e sub-espécies de borboletas e libélulas em Portugal só podem ser encontradas no Tua.

Termalismo vale do rio Tua:
As termas de S. Lourenço (*), com água quente sulfurosa brotando dos pés da estátua medieval do mesmo santo, onde se tomam banhos medicinais, num edifício invulgar e as Caldas de Carlão (*), estas já com instalações modernas de hidroterapia, são algumas das manifestações da geotermia da região. Tudo isso, mais a praia fluvial no Tinhela nas Caldas de Carlão, com arvoredo que lembra o Choupal em Coimbra (*), são para submergir. Bem perto, os algares no Rio Tinhela, também. As interessantes formas de erosão da rocha pela água no rio Tua também desaparecerão, mesmo que se construíssem mini-hídricas em vez da barragem de 130m de altura. As cascatas da Ribeira de S. Mamede, caindo por fim sobre o Tua, também serão submersas.
História da linha do vale do rio Tua:
A linha do Tua, concluída em 1880, cuja construção na rocha escarpada deve ter equivalido em dificuldade à construção da Ponte 25 de Abril, é considerada por muitos o principal motivo porque a barragem não deve ser construída, porque será submersa ainda para montante da Brunheda (a nova bacia prevista é para ter uma extensão de 3822Km2). Seria um insulto aos que a construíram em condições inimagináveis e à nossa memória colectiva destruir esta relíquia de Arqueologia Industrial portuguesa, com as suas pontes de ferro e toda a parafernália de equipamentos ainda existentes, incluindo as estações e o comboio que funcionou.
Antropologia:
A agricultura de socalcos (oliveira, etc) que mesmo assim ainda é feita, chegando nalguns pontos quase até ao rio por caminhos estreitos em ziguezague, tem maior biodiversidade que nalgumas zonas da Ásia classificadas como Património da Humanidade. A água chegaria a menos de 10m da aldeia do Amieiro, descaracterizando por completo aquele lugar e inundando hortas ainda em actividade.    

Turismo vale do rio Tua:
O turismo é um dos principais recursos económicos da região e uma saída para o desenvolvimento da região, imensos projectos turísticos em marcha seriam inviabilizados. Desde logo a constituição dum parque de natureza do Baixo-Tua, da Brunheda à Foz do Tua, e englobando o Baixo-Tinhela desde Martim, e a Ribeira de Barrabáz. Aqui poderiam ser realizadas actividades modernas de vária ordem, didácticas, escalada, cicloturismo, passeios pedestres, talassoterapia,…, incluindo os passeios fotográfico-científicos. O comboio a carvão poderia andar de novo na linha do vale do rio Tua, levando turistas em visitas guiadas aos muitos motivos de interesse. Os acessos à linha poderiam ser melhorados, infra-estruturas de apoio criadas, trilhos bem assinalados à maneira suíça; um potencial ainda largamente por explorar num país com forte aptidão turística. Já hoje se oferecem visitas guiadas, por antigas estradas romanas adjacentes. Em Foz Tua existem bons restaurantes, a Casa do Tua é um hotel de qualidade e há ofertas de turismo rural em locais próximos. A própria paisagem de S. João da Pesqueira a Pinhão, onde se atravessa o Douro e onde está prevista outra barragem, e daqui a Favaios, é incrivelmente tridimensional e bela, com as vinhas e os ciprestes a lembrarem a Toscânia, na Itália, onde se fazem workshops internacionais de Fotografia.    
Os rios devem continuar a ser rios e as montanhas a ser montanhas. As barragens e as pedreiras nivelam o mundo, que fica assim mais desinteressante.

No Parque Nacional de Yosemite, California, USA, quando lá estive, e apesar da seca que decorria, estavam a planear desmontar uma barragem para recuperar a zona para ficar como o vale central que atraía nessa altura já 1 milhão de eco-turistas/ano (6 dólares por dia cada entrada). Portugal, em ideias, anda 50 anos atrasado.
José Romão
Licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra
Mestre em Ciências Biológicas pela Wayne State University, Michigan, EUA
Doutorado em Genética pela Purdue University, Indiana, EUA
Fotógrafo de Natureza http://www.milcores.pt
Alguns textos na internet sobre a importância do vale do rio Tua http://ogalaico.blogspot.com/2011/03/paisagem-miguel-torga.html

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Um comentário Vale do rio Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó) (***) – vamos deixar que aniquilem esta maravilha natural de Portugal (2ªparte)?

  1. Portugueses:Como é possivel no século vinte e um,uma empresa particular, EDP evadir numa extenção de 16km a Linha do Tua,RAINHA DAS LINHAS em Portugal,empresa pública e PATRIMÒNIO DO ESTADO.Quem é que autorizou a EDP a construir a barragem,com uma cota que vai destruir uma linha com 125 anos ao serviço,de 34 povoações do interior?Vale mais a Linha do Tua do que a barragem,um milhão de Mexia,e todos os dirigentes da EDP.A eletricidade que irá produzir não será sufeciente para uma média aldeia,enquanto a linha servia todo o Norte de Portugal.Uma sugestão,é a EDP não construir a central eletrica e no seu lugar construir uma moagem a maior da Europa e talvez do Mundo.A moagem trabalhava a água em vez de eletricidade.A VIDA DUM OPERÀRIO NÃO TEM PREÇO.Mairicio Arrais.Abrantes.19/2/2012.

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