Centro histórico Penamacor (*)- O berço de um dos vultos mais importantes do iluminismo europeu

3-Razões para visitar o centro histórico de Penamacor
1-Pelo grandioso Panorama do alto do seu castelo
2- Pela bem preservada cidadela medieval com destaque para a sua torre de menagem, a torre do Relógio, os antigos Paços do concelho, o Pelourinho e a igreja da Misericórdia.
3-Pela sua pequena judiaria, local de nascimento de Ribeiro Sanches
Penamacor é uma tranquila vila com vários motivos de interesse que podem levar o visitante que atravessa a zona raiana da Beira Interior a deter-se ali. Devido a beleza da sua cidadela a vila pode ser um pólo turístico na região.
O morro de Penamacor devido a sua posição altaneira deve ter sido habitado por gente que sempre espreitou inimigos possíveis e imaginários.
No cimo da vila, onde Gualdim Pais, o tal que se considerou como Lúcifer no Castelo de Almourol (***), mítico mestre templário, mandou levantar o castelo depois de conquistada a povoação aos mouros por D. Sancho I.
Penamacor defendeu a incerta fronteira portuguesa contra castelhanos e mouros e que desempenhava papel primordial no sistema defensivo da Beira Baixa, tentadora linha penetradora, mas desencorajante pelas possantes fortalezas que a ocupavam em apropriados cumes. O morro deve ter sido habitado em tempos pré-romanos e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia.
No tempo de rei Dom Manuel, reforçam-se as defesas. O estilo manuelino é visível na Capela da Misericórdia com o seu belo portal e no pelourinho (1565); no interior da desmantelada cidadela, de onde a onde, podem ver-se sinais decorativos neste estilo, nos portais e janelas do casario, por vezes com sinais de cristãos convertidos nos seus umbrais, materializado numa pequena judiaria. Mas deste tempo o que mais fica retido é o ex-libris da localidade- a sua monumental bela Torre de Vigia com  20 metros de altura.
Penamacor tem um bom centro histórico bem preservado

Muralha de Penamacor

No século XVII, para defesa da pátria restaurada, constroem-se 6 baluartes e três meio-baluartes, segundo as exigências da pirobalística. Pode-se observar um junto da antiga Casa da Câmara; sob este edifício (1568) abre-se uma bem conservada porta gótica da muralha. Depois de entrar repare no seu balcão, sobre a porta de lintel reto encimado pelas armas nacionais ladeadas de esferas armilares-é agora o bem apetrechado posto de turismo.
Destaco ainda na cidadela ovalada, a robusta e bem restaurada Torre do Relógio, que parece ter sido torre de menagem, trechos de muralhas, ruínas de baluartes, a igreja de São Pedro, de fundação românica, os alicerces da Igreja de Santa Maria e a cisterna do Castelo.


Do alto de Penamacor a paisagem é grandiosa

Bela é também a paisagem, principalmente em dias límpidos, de onde se avista largo horizonte, com destaque para as planálticas regiões castelhanas, a Serra da Malcata, a serrilhada crista quartzítica de Penha Garcia (*), os montes ilhas, onde num deles se empoleira a mais bela aldeia de Portugal- de Monsanto (****); pressentem-se ainda as searas espraiadas nas campinas de Idanha.
O dom Sebastião de Penamacor
E agora uma história que daria um reflexivo romance e que aqui aconteceu.
“Em 1584 aqui apareceu o aventureiro conhecido pelo rei de Penamacor, que por ingenuidade do povo e ambição de dois cúmplices que se intitulavam, um bispo da Guarda, outro Cristóvão Távora, se fez passar por Dom Sebastião. Conseguindo atrair as populações simples desta região, à sua figura misteriosa, falando árabe e contando histórias da batalha em que se perdera o rei, o falso Dom Sebastião andava a cavalo seguido de grandes cortejos de crentes e curiosos. A princípio, timidamente, depois com a audácia de uma convicção, o rei de Penamacor aceitava as honras e títulos de majestade, tendo chegado a construir um conselho de estado na sua corte. Chegando até Lisboa o rumor da sua aclamação, aí foi levado o embusteiro. Os dois ministros foram condenados ao cadafalso e o rei mandado para as galés. Encontrando-se como remador na Invencível Armada, liberta-se dos ferros, salta na costa de França e nunca mais foi visto nem achado o célebre aventureiro”1.Os seus companheiros de aventura foram condenados à morte.
O individuo por ter sido o primeiro imitador do Rei dom Sebastião, poderá ter estado na origem do sebastianismo.
[slideshow gallery_id=”4″]
Ribeiro Sanches vulto iminente do iluminismo Europeu
Não poderíamos terminar este artigo sem referir que a cidadela de Penamacor tem um pequena judiaria e onde nasceu e cresceu o cristão-novo Ribeiro Sanches (1699-1783), ilustre em toda a Europa culta, foi um dos inspiradores do Marques de Pombal nas reformas de ensino; filósofo e médico na corte czarina foi um dos precursores do espírito iluminista europeu que ainda hoje e bem nos alumia.
Apesar de alguma degradação de que Penamacor foi alvo ao longo dos séculos, tem ainda um valioso legado patrimonial que merece a nossa visita.
Referências adicionais:
-Lugares a Visitar em Portugal- Seleção do Reader´s Digest, 2001; Guia de Portugal- Beira II- Beira Baixa e Beira Alta 1. Os Mais Belos Castelos de Portugal de Júlio Gil e Augusto Cabrita. O texto foi retirado deste livro que é uma obra de qualidade na divulgação turística de Portugal.
-Laurinda Gil Mendes-Marcas Judaicas no Urbanismo e Arquitectura de Penamacor- Câmara Municipal de Penamacor, Arquivo Municipal-2010
Eis um maravilhoso trabalho que deve ler quando for a Penamacor para observar com mais pormenor os símbolos mágico-religiosos dos portais da judiaria. Tem boas fotografias e os números das portas onde se encontram os sinais. Se desejar peça-nos que nós enviamos por PDF. portugalnotavel@hotmail.com


Ver mapa maior

Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>